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Salvo por Senna em 1992, francês ainda se emociona ao falar do tricampeão

Por Thiago Arantes, colunista do ESPN

O francês Erik Comas disputou 59 GPs de Fórmula 1 entre 1991 e 1994. Na principal categoria do automobilismo, ele nunca se destacou – jamais brigou por títulos e teve como melhor resultado um quinto lugar. Comas, entretanto, orgulha-se de uma conquista que considera muito maior do que qualquer troféu: virou amigo de Ayrton Senna, ao contrário de seu compatriota Alain Prost, maior rival do brasileiro.

Às vésperas do dia em que o brasileiro completaria 50 anos, Comas ainda se emociona ao lembrar da amizade entre ambos. Uma relação que começou logo na primeira corrida do francês na Fórmula 1. Senna foi um dos únicos pilotos que me deu as boas-vindas no primeiro GP do ano. Eu fiquei impressionado: de repente, Ayrton Senna estava diante de mim, dando-me parabéns pelo meu título da F-3000, lembra o ex-piloto, em entrevista ao ESPN.com.br.

Mas não foi a recepção amistosa de Senna que criou um vínculo até hoje existente entre ambos. Em 1992, durante os treinos para o GP da Bélgica, Comas perdeu o controle de sua Ligier e bateu. O carro ficou atravessado na pista, e Senna – que passava pelo local no momento – parou sua McLaren e desligou o motor do carro do francês.

Sem a ajuda de Senna, eu teria morrido porque minha Ligier explodiria. Ayrton parou para me ajudar, quando meu próprio companheiro de equipe já havia passado reto. Ele tinha um coração sensacional, afirma Comas, que raramente fala sobre o assunto. Passei mais de dez anos sem falar sobre o meu acidente ou a morte de Senna.

Veja abaixo o acidente descrito por Erik Comas

Apesar de não ter falado muitas vezes sobre o acidente que matou o amigo, Comas lembra-se com detalhes do dia 1º de maio de 1994. Ele fui o único piloto que não participou da relargada do GP de San Marino, após a colisão de Senna na Tamburello. Quando soube do que havia acontecido, foi com sua Larrousse até o local do acidente e desceu do carro.

Fui o último piloto a ver Ayrton na pista, enquanto ele recebia assistência médica ao lado do carro. Depois entrei na ambulância e fiquei ao lado do capacete dele. Ali senti que ele tinha morrido. Fiquei arrasado porque não pude fazer por ele o que ele fez por mim, rememora Comas. Enquanto o francês voltava para os boxes de carona com a ambulância, Senna era levado de helicóptero para o Hospital Maggiore, em Bolonha, onde foi confirmada sua morte.

Após aquela prova, Comas prometeu que jamais voltaria a disputar uma corrida de Fórmula 1. Mudou de ideia e, duas semanas depois, estava no grid para a prova de Mônaco. No fim daquele ano, contudo, a tristeza o levou a desistir. No GP do Japão, eu vi que não conseguiria esquecer que estava em um esporte assassino, e que meu amigo tinha morrido no dia 1º de maio.

Longe da Fórmula 1, Comas passou a disputar provas de Turismo, colecionando vitórias no automobilismo japonês. Atualmente, coordena uma empresa ligada a automobilismo clássico e acompanha a carreira do filho, Anthony Comas, na F-BMW Inglesa.

[Fonte: espnbrasil.terra.com.br] - Autor: Flavio Gomes - Foto: Google
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