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Brasileiro da Force India comenta novo regulamento

Engenheiro carioca da Force India conta ao Tazio sua trajetória rumo à F-1

Em meio ao agitado trabalho da equipe Force India no final dos testes desta quarta-feira há um rapaz alto, com ar sereno, que vagamente lembra Sebastian Vettel na aparência. Seu nome é Robert Sattler, carioca que aparenta ser mais jovem que seu 32 anos de idade.

Ele é um dos poucos brasileiros que fazem parte do mundo da F-1, mas, ao contrário de seus mais célebres compatriotas, ele trabalha sem os holofotes sobre si, realizando a função de engenheiro de performance de Adrian Sutil na Force India.

A minha função, durante a corrida, é acompanhar a telemetria do carro, ver a performance e ver onde a gente está perdendo tempo. É um suporte para o engenheiro principal, que é quem define a programação. Além disso, Sattler é, a partir deste ano, responsável pelo setup dos dois carros no início.

Se o carro não estiver bom na sexta-feira, a culpa vai ser minha. Obviamente que, durante o fim de semana, a gente vai ajustando o acerto, sendo que cada carro de uma maneira diferente conforme o piloto, mas o acerto básico vai sair do meu computador.

Ele, como a maioria dos amantes de automobilismo, tinha o desejo de ser piloto. Mas eu não tinha grana, então decidi me tornar engenheiro. Hoje em dia até acho que sou mais feliz, porque eu vivo 100% de carro de corrida. Tudo bem que eles [os pilotos] levem a fama e o dinheiro também, mas eles volta e meia têm de fazer trabalho com a imprensa e coisas promocionais. E eu acho mais legal ver a parte técnica.

Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal Fluminense, ele trabalhou, no Brasil, na Stock Car, F-3 e F-Renault antes de se mudar para a Europa. Já no velho continente, teve passagem pela F-3 Europeia antes de ingressar na F-1 ainda quando a equipe indiana se chamava Jordan.

Há cinco anos na F-1, Sattler viveu seu melhor momento na categoria em 2009, com as boas corridas realizadas pela Force India. Na Bélgica para a equipe e pessoalmente para mim foi Monza, por causa do Adrian. Eu sempre trabalhei junto com ele, e o quarto lugar após a classificação em segundo foi bem legal. O mais triste foi em Mônaco em 2008, quando estávamos em quarto lugar e o Kimi bate na traseira do Adrian. Foi uma pena.

Segundo o engenheiro, outro momento que lhe causou “frio na barriga” foi no GP da China de 2009, quando Sutil estava em sexto a poucas voltas do fim da prova. Depois de a equipe optar por uma estratégia arriscada, o brasileiro temia que acabasse o combustível do Force India do alemão.

Eles perguntaram para mim se daria para entrar e completar o tanque para terminar a corrida e eu falei que sim, sendo que, na verdade, eu estava pensando que ele pararia somente na volta seguinte. E, para complicar, a pista começou a secar um pouquinho e o consumo começou a aumentar.

A gente pedia a cada volta para ele levantar o pé para economizar. Se terminasse ali, ia terminar no ‘cheirinho’. Ele acabou batendo, mas eu estava suando nos boxes, porque foi uma estratégia arriscada. Eu acho que daria para terminar, mas, na última volta, eu iria desmaiar.

A nova regra do fim do reabastecimento afetará diretamente o trabalho do brasileiro. Nos últimos três anos às vezes acontecia de você dar um valor de combustível e depois decidia parar uma volta antes se o consumo estiver muito alto. Nesse ano não vai ter mais isso. Você tem que ter o combustível certo, porque você não quer terminar a corrida vazio nem terminar com o tanque cheio.

Para o cálculo de consumo de combustível, algumas equipes utilizam pouca gasolina no carro, até causando depois a pane seca. A gente não fez isso aqui, só quando fizemos o shakedown em Silverstone, pois você perde muito tempo parando na pista e pra recuperar. Mas tenho certeza que as outras equipes fazem. Não é só tanque vazio, mas também é o combustível quente, que é o grande problema. Você vai carregar o mesmo combustível a corrida inteira, o combustível vai estar bem quente e pode ser um problema no final da corrida com relação à pressão.

Assim, a partir de 2010, situações como o safety car serão vistas de outra forma pelos estrategistas. Até o ano passado, quando entrava o safety car, ficávamos felizes, pois economizávamos combustível. Hoje, entrou o safety car, vamos ter que queimar combustível o mais rápido possível. E, pelo mapeamento dos motores, sabemos que não é possível queimar tudo durante o safety car, então teremos que queimar logo depois da relargada para não carregar peso em excesso.

Até mesmo os engenheiros têm dificuldade em fazer a leitura da relação de forças entre as equipes nesta pré-temporada. Sattler acredita, no entanto, que a Force India tem condições de melhorar sua posição em relação a 2009.

O otimismo sempre é grande, mas, sem dúvida, vai ser um ano difícil, porque as quatro equipes de ponta estão com pilotos muito bons. Acho que a disputa vai estar do quinto para trás, o que já é ótimo. Se a gente conseguir disputar com Williams e Renault, já seria uma coisa bem legal. Obviamente a gente sempre fica lembrando de Bélgica ano passado, mas isso foi uma corrida atípica. Se em todas as corridas a gente conseguir disputar entre os 10, 12 primeiros lugares, está ótimo.

Para aqueles que querem chegar ao mundo da F-1 mas não possuem apoio financeiro para ser pilotos, a história de Sattler é um exemplo. Se tiver um sonho qualquer, tudo é possível. Eu sempre falo que fiz faculdade no Brasil e não fiz nenhum curso de especialização na Europa, ou seja, basicamente me formei no Brasil e cheguei na F-1 com essa formação.

Obviamente você tem que ter um pouquinho de sorte, estar no lugar certo na hora certa, mas eu sempre falo para as pessoas que querem começar: o primeiro passo é tentar trabalhar numa equipe no Brasil, seja de F-3, Stock Car, de Copa Corsa ou coisa assim. Botar a mão na massa o mais cedo possível. A F-1 é um passo adicional, você vai caminhando igual piloto.

[Fonte: tazio.uol.com.br] - Autor: Bruno Ferreira - Foto: Tazio
  1. olivia pires de camargo
    2010/11/07 às 18:53

    Querido Robert, você é realmente um garoto de ouro. Parabéns pela sua conquista,pela importância que ocupa na F1.Mas o mais importante de tudo é a sua humildade, boa educação e caráter.Parabens aos seus pais, pois com certeza êles tiveram grande participação na sua conquista. Um abraço, Olivia

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